BASF e Corteva sinalizam uma nova era de reestruturação no agronegócio global.
A mudança tornou-se a constante definidora do agronegócio global, particularmente entre as maiores e mais influentes empresas do setor. Esse foi um tema central em um episódio recente do Relatório Global de Agronegócios, onde Bob Trogele, CEO da ProAgInvest, juntou-se ao programa para analisar por que as reestruturações, os desinvestimentos e as possíveis cisões estão se acelerando — e o que tudo isso significa para o futuro da agricultura.
Trogele, que traz mais de 35 anos de experiência em liderança no setor do agronegócio, descreveu o cenário atual como resultado da convergência de pressões macroeconômicas, regulatórias e geopolíticas. "Desde a COVID, nos últimos cinco anos, as mudanças têm sido constantes", disse ele. "É isso que devemos esperar, à medida que o setor se adapta a um novo ambiente macroeconômico para a agricultura e a um clima de negócios em constante transformação, que varia de país para país."“
Um dos exemplos mais claros dessa transformação é BASF. Conhecida há muito tempo por suas operações químicas e agrícolas totalmente integradas, a BASF começou a reavaliar essa estratégia. Segundo Trogele, a base da empresa na Alemanha criou desafios crescentes, principalmente em relação à regulamentação e aos custos de energia. "Regulamentação e energia são as duas principais questões", explicou ele. "Os preços da energia dispararam, e os custos também."“
As políticas climáticas da Europa e a dependência histórica da Alemanha do gás e petróleo russos agravaram a situação, forçando a BASF a tomar decisões difíceis. Como resultado, a empresa tem se desfeito de alguns ativos e agora está explorando a possibilidade de uma oferta pública inicial (IPO) para seu negócio agrícola. "Isso transformaria a unidade agrícola em uma empresa separada, na qual a BASF permaneceria como investidora, mas também atrairia outros investidores", disse Trogele.
Embora o negócio agrícola da BASF seja amplamente considerado forte e bem administrado, Trogele observou que a separação não é uma tarefa simples.
“Leva alguns anos para desacoplar todos os sistemas de uma organização integrada de bilhões de dólares”, disse ele, apontando para a complexidade de separar serviços compartilhados, contratos, estruturas de governança e locais operacionais. Mesmo assim, ele permanece otimista, acrescentando: “Aposto que eles terão muito sucesso quando chegarem lá”.”
Corteva Apresenta uma história de reestruturação muito diferente. Nascida de Fusão entre Dow Chemical e DuPont, A Corteva passou grande parte da última década lidando com o escrutínio regulatório, desafios de integração e interrupções relacionadas à pandemia. Sob a liderança do CEO Chuck Magro, a empresa tomou medidas estratégicas decisivas, incluindo grandes aquisições, como a compra da Stoller por 1,1 a 1,2 bilhão de dólares, para expandir sua plataforma de produtos biológicos.
Hoje, a Corteva opera em três plataformas principais: sementes, produtos químicos e biológicos. "A plataforma de sementes, o negócio tradicional da Pioneer, está indo extremamente bem", disse Trogele. O negócio de produtos químicos, no entanto, enfrenta margens mais apertadas e concorrência acirrada, enquanto o de biológicos permanece em forte crescimento.
Plano divulgado pela Corteva A separação de partes de seus negócios reflete um esforço para refinar o foco e desbloquear valor para os acionistas.
“Eles decidiram separar as sementes, que são o principal motor da lucratividade, do negócio de produtos químicos, que é mais competitivo e tem margens menores”, explicou Trogele. Uma questão ainda sem resposta é o futuro dos produtos biológicos. “Para mim, a grande questão é o que acontecerá com essa parte de produtos biológicos”, disse ele. “Ouvi dizer que pode ser incorporada ao negócio de produtos químicos, o que é uma estratégia muito interessante.”
Do ponto de vista do produtor, essas mudanças levantam considerações importantes. Os agricultores desejam cada vez mais soluções integradas que combinem sementes, defensivos agrícolas, nutrientes e produtos biológicos. "Os produtores estão buscando cada vez mais soluções integradas", disse Trogele. "Eles querem uma oferta completa." Ele observou que a Corteva historicamente se destacou no fornecimento de tecnologia de ponta em todas essas áreas. "Eles estão abrindo mão de parte disso para gerar valor para os acionistas."“
Em uma perspectiva mais ampla, Trogele observa que essas movimentações fazem parte de uma tendência crescente entre as principais empresas do agronegócio. Seja por meio de IPOs, cisões ou reestruturação de portfólio, as empresas buscam maior flexibilidade, acesso a capital e retornos mais robustos para os investidores. "Essa é uma tendência das grandes empresas para atrair mais acionistas, captar recursos no futuro e gerar valor para os acionistas", afirmou.
À medida que a agricultura global continua a se adaptar à incerteza econômica, à pressão regulatória e às necessidades em constante evolução dos produtores, as estratégias de líderes do setor como a BASF e a Corteva podem oferecer uma prévia do que está por vir. Para Trogele, uma coisa é clara: a mudança não está diminuindo — está se tornando o novo normal.