Jin Huang, do Chengdu Newsun, identifica desafios no setor de saúde vegetal.

Dr. Huang Jin
Agronegócio Global Entrevistamos o Dr. Jin Huang, Vice-Reitor do Instituto de Pesquisa em Biotecnologia da Chengdu Newsun Crop Science Co., Ltd., sobre o estado do setor de saúde vegetal globalmente e na China. Huang também discute as últimas atualizações em P&D no setor, os desafios para levar novos produtos ao mercado e muito mais.
ABG: Você poderia falar sobre as lacunas no setor de saúde vegetal globalmente e, especificamente, na China?
Jin Huang: Globalmente, o setor de saúde vegetal enfrenta desafios na forma como os produtos são regulamentados e avaliados, muitas vezes focando em ingredientes ativos isolados em vez dos efeitos sinérgicos de múltiplas moléculas em extratos vegetais e produtos biológicos. Essa abordagem pode negligenciar o verdadeiro potencial dos extratos vegetais, onde a combinação de várias moléculas desempenha um papel crucial na eficácia geral.
Na China, embora o ambiente político seja favorável, ainda existem desafios na educação para o mercado. Muitos agricultores, especialmente em áreas rurais, estão acostumados a métodos tradicionais de cultivo, e a adoção de novas práticas agrícolas mais sustentáveis exige um esforço considerável em educação e divulgação. Além disso, as práticas de cultivo intensivo ainda estão em evolução, o que representa tanto um desafio quanto uma oportunidade para a introdução de soluções que apoiem uma agricultura sustentável e de alto rendimento.
ABG: Quais são as descobertas mais recentes em P&D para a saúde das plantas?
JH: Nos últimos anos, diversas tecnologias inovadoras surgiram na área da saúde vegetal, muitas das quais foram originalmente desenvolvidas para outros setores, como medicina, proteção animal e saúde em geral. Essas tecnologias, como a terapia com bacteriófagos, a interferência de RNA (RNAi), os peptídeos e os extratos vegetais, estão agora sendo adaptadas para uso na agricultura.
Os extratos vegetais, no entanto, continuam sendo uma das áreas de descoberta mais promissoras. Pesquisas sobre reguladores de crescimento e estimulantes imunológicos derivados de plantas demonstraram que essas misturas complexas de moléculas podem melhorar a saúde das plantas, promovendo o crescimento, aumentando a resistência a doenças e ajudando-as a tolerar o estresse.
ABG: Como funcionam essas moléculas recém-descobertas?
JH: A plataforma de coextração de clusters moleculares ativos (AMCC) da NewSun extrai clusters moleculares ativos naturais de plantas, oferecendo produtos biológicos multifuncionais. Um exemplo recente é o extrato de gengibre-da-areia desenvolvido com essa plataforma, que combina eficazmente o controle de ácaros com a inibição da postura de ovos em uma única formulação.
A plataforma AMCC tem como alvo grupos moleculares específicos, possibilitando efeitos sinérgicos. Além da combinação de controle de ácaros e inibição de ovos, a plataforma também permite formulações que oferecem ação fungicida e estimulação imunológica, fungicida e promoção de crescimento, e resistência ao estresse e crescimento radicular — cada uma com benefícios distintos. Essa abordagem garante que o produto permaneça economicamente viável, ao mesmo tempo que oferece alto desempenho em múltiplas dimensões da saúde da planta.
ABG: Quais serão os desafios para levar esses novos produtos ao mercado onde eles são mais necessários?
JH: O principal desafio é a aprovação regulatória. Na maioria dos países, a segurança é a principal prioridade para novos produtos, o que significa que eles devem passar por rigorosas avaliações de segurança antes mesmo de sua eficácia ser considerada. Isso torna o processo de aprovação longo e complexo.
Uma vez aprovado o produto, o próximo obstáculo é conquistar a confiança do mercado. Para obter aceitação, é essencial realizar testes de campo localizados para demonstrar a eficácia do produto em condições reais. Além disso, o produto deve ser comercialmente viável, oferecendo não apenas preços competitivos, mas também um sólido retorno sobre o investimento para os agricultores. O produto precisa provar que pode agregar valor significativo, tanto em termos de desempenho quanto de custo-benefício.
