Brasil, Argentina e México: o que impulsionará os mercados de proteção de cultivos em 2026

Este artigo descreverá os mercados de proteção de cultivos em alguns países da América Central e do Sul, nomeadamente Argentina, Brasil e México, examinando a situação atual, bem como as principais tendências futuras que deverão influenciar o desenvolvimento do mercado nos próximos anos.

Brasil

Fatores-chave

As condições climáticas têm sido geralmente favoráveis para o plantio e o desenvolvimento inicial das culturas. No entanto, algumas regiões foram afetadas pela seca recente, consequência das chuvas irregulares e mal distribuídas em novembro. A área cultivada no Brasil deverá aumentar em 3,01 trilhões de toneladas (TP3T) na safra 2025/26. A área de soja deverá crescer novamente, em 3,41 TP3T. A área de milho deverá aumentar em 4,11 TP3T. A produção agrícola deverá aumentar em 0,61 TP3T.

Principais desenvolvimentos políticos

O Brasil anunciou a destinação de R$ 67 milhões (US$ 12,6 milhões) para apoiar a liberação e comercialização de até 250 mil toneladas de trigo nos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná.

Progresso do mercado em 2025, Perspectivas para 2026

No Brasil, a área total plantada deverá aumentar em 3,01 TP3T na safra 2025/26 em relação ao ano anterior, totalizando 84,2 milhões de hectares. Dentro desse total, prevê-se um aumento na área plantada para a maioria das culturas monitoradas em comparação com o ano anterior, com exceção do arroz (-8,11 TP3T) e do feijão (-2,31 TP3T). A produção total de culturas na safra 2025/26 está estimada em 354,4 milhões de toneladas, um aumento de 0,61 TP3T em relação ao ano anterior. Dentro desse total, projeta-se um aumento na produção de soja (+3,31 TP3T) e de outras culturas (+4,21 TP3T). No entanto, são esperadas reduções na produção de milho (-1,51 TP3T), feijão (-1,81 TP3T), arroz (-12,41 TP3T) e algodão (-2,91 TP3T), enquanto a produção de trigo deverá permanecer em linha com o ano anterior.

O plantio de soja está progredindo bem, com condições geralmente favoráveis, embora a irregularidade das chuvas e eventos climáticos nas regiões sul, como ventos fortes e granizo, sejam motivo de preocupação. Para o milho, o plantio da primeira safra está avançando, com a área plantada aumentando em 7,21 trilhões de toneladas em relação ao ano anterior, ultrapassando 4 milhões de hectares. A produção de milho no Brasil está se beneficiando do forte crescimento do setor de etanol no país, com a expectativa de que a produção dobre nos próximos anos, enquanto a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar deverá se manter estável.

Principais artigos
A Vive Crop Protection anuncia o registro canadense do fungicida Phobos FC 360.

A Embrapa, agência brasileira de pesquisa agropecuária, desenvolveu uma nova tecnologia para detectar a lagarta-do-cartucho (Cartucho).Espópteros frugiperda) em plantações de milho. A tecnologia utiliza sensores e inteligência artificial para analisar imagens e identificar lagartas tanto nas folhas quanto nas espigas de milho. Esse sistema de detecção tem potencial para ser integrado a implementos e equipamentos agrícolas, como drones, no futuro.

Argentina

Fatores-chave

A área cultivada com trigo deverá aumentar em 6,21 TP3T na safra 2025/26, enquanto a área cultivada com cevada deverá diminuir em 14,71 TP3T. A área cultivada com milho deverá aumentar em 12,01 TP3T. Foram emitidos alertas sobre infestações precoces e intensas da lagarta-do-cartucho em algumas regiões. A Argentina reduziu permanentemente as taxas de exportação de grãos.

Principais desenvolvimentos políticos

A Argentina anunciou que reduzirá temporariamente a participação obrigatória do biodiesel no diesel, de 7,51 TP3T para 7,01 TP3T. O país também aprovou um aumento de 6,21 TP3T no preço mínimo do biodiesel para mistura obrigatória com diesel. Além disso, implementou novas reduções permanentes nos impostos de exportação de grãos e seus derivados. Essa medida segue a redução permanente dos impostos de exportação de diversos produtos agrícolas importantes, implementada no início do ano. As alíquotas reduzidas permanecerão em vigor durante todo o mandato do atual governo argentino.

Progresso do mercado em 2025, Perspectivas para 2026

As últimas previsões do Ministério da Agricultura da Argentina para as áreas plantadas das principais culturas na safra 2025/26 sugerem expansões de área para trigo (+6,2%), girassol (+16,7%) e milho (+12,0%), enquanto as áreas de cevada (-14,7%), soja (-3,3%), sorgo (-10,0%), arroz (-17,4%), amendoim (-15,1%) e algodão (-13,0%) devem diminuir.

O desenvolvimento da primeira safra de milho, a mais importante da Argentina, está sendo beneficiado por bons níveis de umidade do solo e condições favoráveis. O instituto de pesquisa argentino INTA Reconquista emitiu um alerta sobre infestações incomumente precoces e intensas da lagarta-do-cartucho em plantações de milho no norte de Santa Fé. Esse surto atípico foi atribuído a condições ambientais, baixa adesão às medidas de refúgio e manejo inadequado da praga.

Para a soja, o plantio da safra precoce continua. No entanto, as condições de umidade excessiva em algumas regiões estão dificultando o acesso aos campos.

A Argentina implementou novas reduções permanentes nos impostos de exportação para produtos e subprodutos de grãos. Essa medida segue a redução permanente dos impostos de exportação para diversos produtos agrícolas importantes, já anunciada no início deste ano. Essas alíquotas reduzidas, detalhadas na tabela à esquerda, permanecerão em vigor durante todo o mandato do atual governo argentino.

Argentina Grain Export Tax Rates Table

A Argentina exportou recentemente seu primeiro carregamento de trigo para a China, após a inclusão de empresas argentinas na lista de exportadores aprovados pela China em 2024. Estima-se que, na safra 2025/26, a Argentina será o sétimo maior exportador de trigo, com um volume aproximado de 14 milhões de toneladas.

México

Fatores-chave

A colheita da principal safra de milho está sendo afetada pelas condições de muita umidade.

Principais desenvolvimentos políticos

O México anunciou que garantirá um preço de MXN 6.050 (USD 329) por tonelada de milho branco nos estados de Guanajuato, Jalisco e Michoacán.

Progresso do mercado em 2025, Perspectivas para 2026

A economia do México está entre as maiores da América Latina, atrás apenas do Brasil, e mais de 901 trilhões de dólares do comércio total são realizados por meio de acordos de livre comércio. Esses acordos são essenciais para o setor agrícola do país, embora a desvantagem dessa economia altamente industrializada seja que a agricultura mexicana é afetada pelas importações de baixo custo de seus parceiros comerciais, que geralmente priorizam a produção de culturas agrícolas.

O crescente foco na produção de frutas e hortaliças tem beneficiado o mercado de proteção de cultivos nos últimos anos, e a expansão desse setor deve continuar nos próximos anos, embora a escassez de água seja um desafio cada vez mais grave no México, exercendo uma pressão significativa sobre o setor agrícola.

A grande quantidade de produtos biológicos para proteção de cultivos que estão sendo introduzidos no mercado deve impulsionar o crescimento, com esse setor em trajetória de rápida expansão, superando as taxas de crescimento previstas para os produtos convencionais de proteção de cultivos.

Prevê-se que o valor do mercado de proteção de cultivos no México aumente em média 4,01 trilhões de dólares por ano, atingindo 1,483 bilhão de dólares em 2029. No entanto, esse crescimento poderá ser atenuado caso o país seja afetado por períodos prolongados de seca, como os que ocorreram nos últimos anos. Quaisquer avanços adicionais na melhoria da irrigação no país certamente mitigariam os potenciais impactos negativos da seca.

AMÉRICA CENTRAL E DO SUL

Olhando para o futuro, até 2026.

Para a América Central e do Sul em 2024/25, embora os preços dos agroquímicos e das commodities tenham permanecido baixos em comparação com os padrões históricos, o aumento das áreas cultivadas com culturas importantes no Brasil e na Argentina e a melhora geral das condições climáticas foram fatores positivos para o desenvolvimento do mercado. Além disso, o crescimento contínuo em outros países da região, principalmente Chile, Colômbia e Peru, beneficiou o desempenho do mercado, impulsionado pela alta demanda por exportações de frutas e hortaliças.

Apesar disso, principalmente devido aos impactos contínuos nos preços e nas flutuações cambiais, AgbioInvestidores As estimativas preliminares para o valor do mercado de proteção de cultivos na América Central e do Sul em 2025 sugerem uma queda de 7,51 trilhões de rupias, para 1,4 trilhão de rupias e 21,502 milhões de dólares em termos nominais. Em moeda constante, isso equivale a um aumento de 2,01 trilhões de rupias.

A estabilização dos preços de agroquímicos e commodities é um fator positivo, enquanto as condições climáticas devem ser ainda mais favoráveis, apesar de algumas preocupações com a seca no início da safra em algumas regiões do Brasil. A pressão de pragas deve ser relativamente alta, e a expectativa de aumento da área cultivada com culturas importantes no Brasil e na Argentina representa um importante fator positivo para o mercado no futuro. O Brasil também continua se beneficiando da forte demanda de exportação da China, que aumentou substancialmente suas importações de sorgo brasileiro, além da demanda persistente por milho e soja, inclusive no mercado interno, onde a produção de etanol à base de milho está crescendo significativamente. Há também expectativas de crescimento em outros países da região onde a produção de frutas e hortaliças tem prioridade sobre a de grãos.

Espera-se também que o lançamento de novos produtos beneficie o mercado de proteção de cultivos no próximo ano, com destaque para o inseticida Plenexos (spidoxamato) da Bayer na Colômbia, o primeiro produto à base de spidoxamato a ser comercializado globalmente; o fungicida para cereais Fidresa (fluindapir/protioconazol) da FMC na Argentina para uso em trigo e cevada; o tratamento de sementes com fungicida/nematicida Victrato (ciclobutrifluram) da Syngenta no Brasil; e o acaricida/inseticida Perseus Duo (espirodiclofeno/abamectina) da CropChem no Brasil para uso em café e citros.