Navegando em um conjunto de ferramentas cada vez menor: especialistas globais mapeiam as lacunas regulatórias de 2026 — e onde os produtos biológicos podem se destacar.

Com o desaparecimento mais rápido dos produtos de proteção de cultivos do que sua chegada aos produtores, fabricantes e formuladores enfrentam uma pressão crescente para se adaptarem. Esse desafio esteve no cerne do Agronegócio Global Ao Vivo! webinar, “Ajuste suas estratégias regulatórias para 2026.”

Especialistas do Sudeste Asiático, dos EUA e da UE, da América Latina e da África descreveram um cenário global em constante transformação, onde regulamentações mais rigorosas, problemas de resistência, mudanças nas regras de importação e custos crescentes estão remodelando rapidamente a disponibilidade de produtos. Em todos os continentes, um tema ficou claro: as lacunas regulatórias estão aumentando e os produtos biológicos, os programas híbridos e as soluções inovadoras podem oferecer o caminho mais rápido para preenchê-las.

Sudeste Asiático: Proibições Rápidas, Alternativas Lentas

Dra. Piyatida Pukclai, Gerente Regional de Vendas e Políticas Regulatórias (Ásia-Pacífico) da knoell, iniciou a sessão com um dos alertas mais contundentes: o Sudeste Asiático está proibindo pesticidas perigosos mais rapidamente do que os países conseguem registrar alternativas.

“A eliminação gradual é muito rápida — às vezes muito mais rápida do que encontrar substitutos”, disse Pukclai. Mesmo quando existem alternativas, o processo de registro regional continua lento e fragmentado. “Registrar uma nova substância ativa pode levar vários anos e, para produtos biológicos, o processo acelerado não é rápido na prática.”

Ela destacou uma discrepância entre as expectativas regulatórias e as realidades biológicas. "Os ensaios de eficácia ainda se baseiam em diretrizes elaboradas para pesticidas convencionais", disse Pukclai.

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O resultado é o aumento dos custos e a redução das opções para os agricultores, especialmente os pequenos produtores que precisam de treinamento e apoio para usar os produtos biológicos de forma eficaz.

Para ter sucesso, Pukclai afirmou que as empresas precisam pensar além de estratégias focadas em um único país: “Não se pode depender apenas de regulamentações locais. É preciso ficar atento às mudanças regionais — protocolos da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão em discussão e provavelmente serão implementados, e as empresas pioneiras devem desenvolver produtos e pacotes de dados que se adaptem a eles.”

EUA e UE: Restrições a PFAS definem a próxima batalha pela conformidade

Do ponto de vista dos EUA e da UE, as restrições aos PFAS são o maior fator de disrupção regulatória, afirmou George Fountas, Diretor Global de Assuntos Regulatórios da [empresa/organização]. AgriThority.

“A EPA não está proibindo muitos produtos diretamente”, disse Fountas. “Mas acabam ocorrendo proibições de fato quando as tolerâncias são ampliadas ou novos métodos de teste são validados.”

Nos EUA, porém, os estados individualmente estão agindo com mais rapidez e agressividade. "A nova regra de Minnesota exigirá a divulgação de PFAS no próximo ano, seguida de proibições, a menos que se possa comprovar que são inevitáveis", disse Fountas. "Isso vai criar grandes lacunas."“

Na UE, a tendência é semelhante. Fountas apontou a recente ação da Dinamarca como um sinal do que os reguladores em todo o bloco podem seguir. “A Dinamarca acaba de proibir 23 pesticidas associados a PFAS, com mais 10 em análise. Se você usa PFAS em qualquer parte da sua cadeia de suprimentos, agora é a hora de começar a eliminá-los.”

Para os produtos biológicos, disse Fountas, existe uma clara oportunidade: “Estamos sempre à procura de bioherbicidas — novos modos de ação com bons perfis de segurança. Essa é uma lacuna importante que os fabricantes podem preencher.”

América Latina: A burocracia entraves à inovação

A América Latina está passando pela mesma redução gradual de produtos perigosos — mas com uma adaptação local, disse Alexandre Quesada, fundador e CEO da SmartTox.

“Isso está acontecendo em todos os lugares — produtos altamente perigosos estão sendo reavaliados e retirados do mercado”, disse Quesada. “O problema na América Latina é o excesso de burocracia e a falta de previsibilidade na aprovação de novos produtos.”

No Brasil, os atrasos afetam mais do que apenas novas moléculas. "Perdemos oportunidades de lançar produtos melhores porque misturas e reformulações ficam presas na mesma longa fila", disse Quesada.

As mudanças nas políticas do México, particularmente em relação ao glifosato, também estão criando pressão. "Os adiamentos criaram urgência para que as alternativas — especialmente os biológicos — avancem mais rapidamente", disse Quesada.

A falta desigual de regulamentação entre os países representa mais um obstáculo. "É preciso alguém que entenda as diferentes abordagens em toda a região", disse Quesada. "Caso contrário, você pode apresentar um bom produto, mas fracassar devido a sistemas de avaliação antigos ou regras de equivalência rígidas."“

África: Quando a química antiga desaparece, as proteções também desaparecem.

Para a África, a maior ameaça não é apenas a perda de produtos químicos antigos — é a perda desses produtos antes que alternativas biológicas ou de baixa toxicidade estejam disponíveis, afirmou Garth Drury, Consultor Principal da [nome da empresa/organização]. Estafilo.

Ele alertou que as decisões europeias têm consequências a jusante. "Há culturas cultivadas na África que a Europa não cultiva. Se a Europa fechar os limites máximos de resíduos para um ingrediente ativo, os agricultores africanos perdem um produto do qual dependem", disse Drury.

Pragas como a lagarta-do-cartucho evidenciam esse desafio. "Algumas pragas invasoras só podem ser controladas com produtos químicos mais antigos", disse Drury. "Se o uso desses produtos for restrito, os países terão dificuldades para proteger as plantações."“

O mercado de produtos biológicos na África está crescendo, mas de forma desigual. "Os biopesticidas estão disponíveis, mas são segmentados, caros ou inadequados para as condições africanas. Alternativas de amplo espectro nem sempre estão disponíveis", disse Drury.

Os mercados de exportação acrescentam mais uma camada de pressão. "Os varejistas como Carrefour ou Walmart podem exigir zero resíduos", disse Drury. "Essas exigências recaem sobre os produtores africanos, que, consequentemente, têm menos ferramentas para se manterem em conformidade."“

Ainda assim, Drury vê espaço para inovação — mas isso requer nuances: "Há uma oportunidade real para produtos biológicos, mas apenas com estratégias localizadas para países como Marrocos, África do Sul, Nigéria e Quênia."“

Conclusão global: os medicamentos biológicos estão em ascensão — mas não com a rapidez necessária.

Em quatro continentes, a mensagem foi clara: as lacunas regulatórias estão aumentando e os produtos biológicos estão bem posicionados para preenchê-las — se as empresas conseguirem lidar com sistemas lentos, regras inconsistentes e complexidade regional.

Produtos biológicos, formulações mais inteligentes e programas híbridos de MIP (Manejo Integrado de Pragas) não são apenas oportunidades — são necessidades. Levá-los ao mercado exigirá conhecimento global, adaptação às nuances locais e estratégias regulatórias adaptadas ao cenário em constante evolução.