O ímpeto da saúde vegetal na América Latina: inovação, adoção e oportunidades.

À medida que a agricultura global busca soluções que impulsionem a produtividade e, ao mesmo tempo, lidem com os desafios climáticos e de insumos, a América Latina emerge como um mercado dinâmico para produtos fitossanitários. De produtos biológicos e bioestimulantes a biofertilizantes e tratamentos microbianos de sementes, a adoção em toda a região está se acelerando — impulsionada pela familiaridade dos produtores, pela clareza regulatória e pela necessidade de soluções resilientes para a produtividade.

Esses temas foram o foco principal de um episódio recente do Relatório Global de Agronegócios, que contou com a participação de Sarah Reiter, vice-presidente executiva da BioConsórcios. Durante a conversa, Reiter compartilhou informações sobre por que a América Latina continua superando outras regiões na adoção de práticas de saúde vegetal e onde estão as maiores oportunidades nos próximos anos.

Uma base sólida para a adoção da saúde vegetal

Uma das bases mais sólidas para o crescimento já está bem estabelecida. "Quase 901 toneladas de toda a soja atualmente recebe inoculante", disse Reiter, observando que a inoculação é considerada prática padrão há muito tempo nos principais países produtores de soja. "Essas inoculações funcionam extremamente bem na soja, e esse sucesso gerou confiança em outras tecnologias de sanidade vegetal."“

Essa confiança agora se traduz em uma adoção mais ampla além da soja. Embora os inoculantes para soja continuem sendo um pilar fundamental, Reiter apontou para o crescente interesse em outras culturas de grande escala, incluindo milho, cana-de-açúcar e algodão. Frutas e hortaliças também estão vendo um aumento na adesão, com produtos fitossanitários ganhando espaço em bananas, frutas de caroço e vinhas.

Na BioConsortia, o foco da empresa está firmemente enraizado em tecnologias microbianas aplicadas ao tratamento de sementes. "Atuamos predominantemente no ramo de tratamento de sementes", explicou Reiter. "Trabalhamos com soja, milho, cereais, cana-de-açúcar, batata — diversas culturas importantes no mercado latino-americano."“

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Em todas essas culturas, a adoção está sendo impulsionada por resultados baseados em desempenho. "Onde realmente vemos adoção, tanto para nossos produtos quanto para os da concorrência, é no segmento de aumento de produtividade", disse ela. Biofertilizantes e bioestimulantes estão preenchendo lacunas críticas para os produtores que podem não conseguir aplicar fertilizantes sintéticos nos momentos ideais. Essas tecnologias também estão ajudando os produtores a lidar com condições climáticas cada vez mais imprevisíveis.

“Oferecer alívio ao estresse climático é um fator crucial”, acrescentou Reiter. “Seja esse estresse causado por falta de água, excesso de água, água na época errada ou outros fatores climáticos estressantes, esses produtos podem fazer uma grande diferença.”

Geograficamente, o Brasil e a Argentina continuam liderando a região, principalmente em culturas agrícolas. Por meio de uma parceria com a The Mosaic Company, a BioConsortia está introduzindo sua tecnologia de biofertilizantes no Brasil, inicialmente voltada para milho e soja. "O Brasil será nosso primeiro mercado na América Latina", disse Reiter, destacando a dimensão do país e sua abertura à inovação.

A Argentina também continua sendo um mercado-chave, especialmente devido à sua longa experiência com inoculantes. Segundo Reiter, esse histórico moldou a atitude dos produtores em toda a região. “Os produtores latino-americanos usam inoculantes há muito tempo e eles têm um alto grau de aceitação”, disse ela. “Isso lhes dá confiança de que outras tecnologias biológicas também funcionarão em seu ambiente.”

Clareza regulatória impulsiona o mercado

A regulamentação é outro fator crítico que molda o dinamismo do mercado, particularmente no Brasil. Reiter descreveu o quadro regulatório em evolução do Brasil como uma vantagem competitiva para as empresas de fitossanidade.

“O Brasil realmente esclareceu e simplificou o processo regulatório”, disse ela. “Ter clareza sobre como cumprir as exigências é uma grande vantagem.”

A distinção clara entre biocontroladores, biofertilizantes e bioestimulantes facilitou o planejamento e o investimento das empresas. "Isso facilita para empresas como a nossa planejar, executar uma estratégia regulatória e realmente se engajar no mercado", disse Reiter, contrastando a abordagem do Brasil com a incerteza regulatória na Europa e nos EUA.

Olhando para o futuro, as oportunidades de crescimento vão além das culturas agrícolas tradicionais. Reiter destacou culturas dependentes de fertilizantes, como café e cana-de-açúcar, onde o acesso a insumos sintéticos pode ser caro ou logisticamente complexo. "Essas são culturas em que vemos um potencial realmente interessante", afirmou.

Parcerias são essenciais para o sucesso no mercado.

Para empresas que consideram entrar na América Latina, Reiter enfatizou a importância de parcerias e conhecimento local. "É difícil para nós imaginarmos como conseguiríamos operar na América Latina sozinhos", disse ela, observando que a BioConsortia é uma empresa relativamente pequena, com sede na Califórnia. "Parcerias são fundamentais."“

Parcerias bem-sucedidas, acrescentou ela, exigem transparência e uma mentalidade colaborativa. "É preciso estar preparado para que todos ganhem", disse Reiter. "Se você acredita que pode vencer sozinho estando fora da América Latina, provavelmente sairá frustrado."“

À medida que as tecnologias de sanidade vegetal continuam a ganhar impulso, a América Latina se destaca como uma região onde inovação, adoção e progresso regulatório estão se alinhando. Com os produtores cada vez mais abertos a soluções biológicas e os governos proporcionando caminhos mais claros, a região está preparada para desempenhar um papel de liderança no futuro da produção agrícola sustentável.

Para saber mais, assista à entrevista completa com Sarah Reiter no episódio mais recente do programa. Relatório Global de Agronegócios e ouça diretamente as suas opiniões sobre as tendências de saúde vegetal que estão a moldar a América Latina.