Grãos sul-americanos sofrem

As condições na Argentina e no resto da América do Sul prepararam o cenário para preços mais altos no futuro, diz Mike Woolverton, Extensão Agrícola do Estado do KansasEUA. O clima quente e seco causou as piores condições de cultivo das safras de verão em pelo menos cinquenta anos, e os meteorologistas não preveem grande alívio nos próximos dois meses. De acordo com o governo argentino – que declarou estado de emergência agrícola e suspendeu as exportações de trigo – a produção agrícola pode estar 50% abaixo do normal. A seca e as altas temperaturas – acima de 38°C – prejudicaram o trigo durante o período reprodutivo e o milho durante a polinização. A extensão das perdas nas safras só será conhecida após a colheita, em março e abril.

Após o governo argentino impor recentemente o imposto de exportação 48% sobre a soja, que continua em vigor, os agricultores protestaram e bloquearam estradas e terminais de exportação. As principais organizações agrícolas da Argentina concordaram com uma nova greve, possivelmente já em fevereiro, embora o governo tenha anunciado isenções fiscais para os agricultores ao declarar o estado de emergência agrícola.

Os países vizinhos da América do Sul também sofreram danos às plantações devido às condições climáticas extremas. O Paraguai, quarto maior produtor e exportador mundial de soja, anunciou que produzirá 431 TP3T a menos de soja nesta temporada do que no ano passado. Os estados mais ao sul do Brasil também sofreram com a seca, com uma perda potencial de 101 TP3T na produtividade da soja. Enquanto o governo brasileiro prevê uma redução de 3,81 TP3T na produção nacional de soja, estimativas privadas preveem uma perda de 71 TP3T. Chuvas intermitentes são um bom presságio para a segunda safra de milho do Brasil, mas a produtividade da primeira safra de milho pode cair de 201 TP3T para 301 TP3T.