Como fazer negócios com produtos biológicos no Brasil

Com os preços das commodities baixos, os produtores brasileiros diminuíram os gastos com insumos agrícolas em 2024, e a indústria de proteção de cultivos sofreu golpes financeiros. Agora, as empresas de proteção de cultivos estão lidando com as consequências por meio de falências, demissões e cortes — mas há algumas áreas de esperança e crescimento.

Fabio Kagi, gerente de Assuntos Institucionais e Regulatórios do SINDIVEG, associação que apoia 23 empresas de defensivos agrícolas no Brasil, afirma que o mercado de produtos biológicos continua apresentando crescimento.

“Os produtos de controle biológico já estão no mercado há algum tempo. Mas somente nos últimos anos notamos um crescimento exponencial, que pode ser atribuído a uma mistura de demandas da sociedade, desenvolvimentos em pesquisa agrícola, investimentos financeiros, aumento da vida útil dos produtos e outros”, diz Kagi.

A colega de Kagi, Soraia Pinho, analista de regulamentações da SINDIVEG, que trabalha no apoio a membros que oferecem produtos biológicos, está percebendo a mesma tendência.

“As empresas que atuam no mercado de produtos fitofarmacêuticos precisam estar atentas a essa tendência. Portanto, todas as empresas já oferecem bioprodutos em seu portfólio ou estão analisando o melhor momento e os melhores produtos para ter”, diz Pinho. “A questão agora é a velocidade de crescimento desse mercado, mas não há dúvida de que essa tendência veio para ficar. Não deve haver mais dicotomia entre produtos químicos ou biológicos. Ambos os grupos de produtos têm seu mercado de produtos adequado na agricultura moderna.”

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Amanda Bulgaro trabalha como Gerente de Regulamentação Federal para a AENDA (National Association of Phytosanitary Companies). A AENDA representa 60 empresas de proteção de cultivos, com metade dos membros agora oferecendo produtos biológicos e outros tipos de bioinsumos.

Uma das grandes vitórias da sua associação no ano passado foi a Lei dos Bioinsumos (Lei 15.070/2024), sancionada em 24 de dezembro de 2024. A AENDA, juntamente com outras associações e produtores, trabalhou para que a nova lei fosse aprovada para agilizar o registro de produtos bioinsumos.

Esta nova lei abre muitas oportunidades para empresas que buscam o desenvolvimento de produtos de bioinsumos. A Lei de Bioinsumos regulamenta indústrias e produtores que multiplicam microrganismos na fazenda.

“A nova lei incentivará o desenvolvimento da indústria brasileira de bioinsumos. O ano de 2025 será um ano de muito trabalho com o envolvimento de diversas entidades que devem trabalhar pela regulamentação da Lei de Bioinsumos, unindo a visão de vários setores e profissionais do agronegócio, principalmente dos setores regulatório e jurídico”, afirma Bulgaro.

A Solução Microbiana

Uma parte da Lei de Bioinsumos regula os microbianos. Produtores criando seus próprios bioinsumos microbianos feitos em fazendas interromperam partes do mercado devido a problemas de eficácia.

Para a Rovensa Next Brasil, a lei é um passo importante no mercado de bioinsumos da região e crucial para seu trabalho com microrganismos.

O Centro de Pesquisa e Inovação da Rovensa Next Global Biosolutions, localizado em Hortolândia (Estado de São Paulo), foi inaugurado em 2022. Luis Cavalcante, chefe da Rovensa Next Brasil, e Johana Rincones Perez, gerente global de design de produtos de P&D, lideram uma equipe de vendas e pesquisadores para encontrar formulações microbianas que funcionem nos diferentes climas do Brasil e do mundo todo.

Rincones diz que a nova lei ajuda a estabelecer um padrão para construir confiança com os produtores.

“Um micróbio nunca é um produto. Um produto é um micróbio estável para uso. Ele tem uma matriz na qual será aplicado e atuará em campo”, diz Rincones.

Um micróbio produzido em uma fazenda, por exemplo, não tem uma formulação. Eles não podem garantir que o micróbio terá um bom desempenho porque não há rigor e testes para garantir isso. Isso prejudica a confiança em nossos próprios produtos, pois talvez os produtores possam adquirir a mesma espécie ou a mesma cepa de micróbio que usamos em nossas formulações, mas só porque têm o mesmo micróbio, não têm o produto.