As 6 principais mudanças que estão moldando os CROs na América Latina.
As organizações de pesquisa contratada (CROs, na sigla em inglês) estão adaptando sua ciência e estratégias para ajudar as empresas a acompanhar as mudanças regulatórias, a inovação agrícola e as necessidades dos produtores.
Dra. Jorgelina Lezaun, CEO e Fundadora da AgriConsult Latam, e o Dr. Luiz Antonio A. José, Chefe de Operações, Estafilo Brasil, analise seis tendências principais que definem como as CROs operam em toda a região.
1. Aumento dos testes de produtos biológicos e bioestimulantes
Impulsionadas pelos rigorosos níveis máximos de resíduos para importações impostos pela UE, as CROs na América Latina — particularmente no Brasil e na Argentina — têm se voltado significativamente para a testagem de produtos biológicos, afirma Lezaun.
José observa que, até o final de 2024, aproximadamente 221 empresas estavam registradas para bioprodutos no Brasil, das quais 183 eram nacionais e 38 eram internacionais. Além disso, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, cerca de 300 produtos biológicos foram registrados no Brasil entre 2022 e 2024.
“Esse crescimento levou a um aumento substancial nos projetos de testes para CROs, sendo os nematicidas e inseticidas os estudos de campo mais solicitados”, diz José.
2. Menos solicitações recebidas no geral
Embora o mercado de produtos biológicos esteja em expansão na América Latina, José afirma que, no geral, as CROs (Organizações de Pesquisa Clínica) registraram de 20% a 40% a menos de solicitações em 2024 e 2025.
“Secas, grandes estoques, disputas fiscais globais e preços baixos das commodities reduziram as margens de lucro dos agricultores, levando à instabilidade financeira em toda a cadeia do agronegócio. As principais empresas químicas e biológicas reduziram os investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em desenvolvimento de mercado”, afirma José.
3. Aproveitando a tecnologia
As CROs têm utilizado cada vez mais a tecnologia para otimizar processos, mantendo a precisão. Lezaun cita como exemplo os centros de fenotipagem digital de alta velocidade, equipados com drones com sensores hiperespectrais e câmeras com inteligência artificial que medem o crescimento das culturas em tempo real, permitindo que as CROs forneçam dados precisos sobre a resistência ao estresse hídrico e a eficácia dos fertilizantes.
Além disso, as CROs implementaram plataformas de blockchain para garantir a integridade dos dados de campo. Por fim, Lezaun afirma que o aprendizado de máquina está sendo implementado para análise de ensaios de campo e previsão do desempenho de pesticidas.
4. Redes de Ensaios Clínicos Multilocal
Com a crescente volatilidade climática, as CROs (Organizações de Pesquisa Clínica Contratadas) agora oferecem redes de ensaios clínicos que abrangem múltiplos microclimas simultaneamente.
“Isso permite que as empresas de biotecnologia agrícola testem a resiliência climática de seus produtos em condições extremas durante uma única estação de cultivo’, afirma Lezaun.
5. Maior harmonização
Graças às normas de Boas Práticas Agrícolas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), houve maior coordenação em toda a América Latina.
“Muitos países atualizaram suas certificações de Boas Práticas de Laboratório”, diz Lezaun. “Isso permite que estudos de resíduos agroquímicos conduzidos por CROs na Colômbia ou no Chile sejam reconhecidos por agências reguladoras internacionais, facilitando a exportação de culturas tratadas com essas novas tecnologias.”
6. Atualizações regulatórias
José menciona duas atualizações regulatórias no Brasil às quais vale a pena prestar atenção:
- Nova Lei de Registro de Produtos Químicos (nº 14.785/2023): Essa lei visa, entre outras coisas, acelerar o processo de registro de produtos químicos no Brasil.
- Nova Lei de Bioinsumos (nº 15.070/2024): Essa lei separa claramente as categorias de produtos, facilitando a classificação de diferentes bioprodutos, como os bioestimulantes, e esclarecendo o processo de registro.
A Argentina também empreendeu uma modernização abrangente do seu quadro regulamentar para agroquímicos e bioinsumos através do Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria, segundo Lezaun.
- Resolução 1004/2023: Essa regulamentação histórica estabeleceu procedimentos específicos de registro para bioinsumos no Registro Nacional de Produtos Terapêuticos para Plantas e no Registro Nacional de Fertilizantes.
- Resolução 458/2025: Esta resolução inclui uma modernização fitossanitária abrangente e representa o alinhamento da Argentina com os padrões internacionais da OCDE.
- Resolução 843/2025: Esta resolução reduz drasticamente as barreiras burocráticas. Os estabelecimentos fabris agora podem iniciar as operações com uma simples declaração juramentada.
- Resolução 214/2025: Esta regulamentação exige o uso de plataformas digitais (VUCE Argentina e TAD) para todos os processos de registro, importação e exportação de ingredientes ativos, agroquímicos e produtos biológicos.