Brasil: Bioma lança biofungicida para proteção metabólica
Empresa brasileira de insumos biológicos Bioma registrou o que descreve como o primeiro fungicida do país baseado inteiramente em metabólitos microbianos, abrindo um novo segmento no mercado brasileiro de proteção biológica de cultivos, que está em rápida expansão.
O produto, Metabolic Protection, foi registrado para o tratamento da antracnose, causada por Coletotrichum truncatum, e ponto alvo, causado por Corynespora cassiicola, duas doenças importantes da soja.
A tecnologia foi desenvolvida ao longo de cinco anos dentro da Cogny, descrita pela empresa como o maior ecossistema de insumos biológicos do mundo. O desenvolvimento científico e tecnológico foi liderado pela Orygen, empresa de pesquisa e desenvolvimento do grupo, sob a direção de Artur Soares, enquanto a Bioma foi responsável pelo desenvolvimento, registro e comercialização do produto.
Espera-se que o produto esteja disponível comercialmente em breve.
Tecnologia baseada em metabólitos
Diferentemente dos bioprodutos microbianos convencionais formulados com fungos ou bactérias vivas, a Proteção Metabólica é baseada exclusivamente em compostos produzidos por microrganismos.
Segundo a Bioma, sua tecnologia patenteada estimula a expressão de genes específicos envolvidos na produção de compostos com atividade agronômica. A formulação resultante contém aproximadamente 40 metabólitos, dos quais mais de 20 possuem atividade direta contra fungos, enquanto outros 17 têm como objetivo ativar os mecanismos naturais de defesa das plantas.
“A combinação de diferentes moléculas e mecanismos de ação aborda um dos principais desafios no manejo de doenças da soja: a perda gradual de eficácia de alguns fungicidas químicos devido à resistência dos patógenos após aplicações repetidas com modos de ação semelhantes”, disse Soares.
A empresa estima que a antracnose e a mancha-alvo podem causar perdas de produtividade de até 40% em cultivares de soja suscetíveis, mesmo em condições favoráveis à doença. Segundo a Bioma, a incorporação de moléculas biológicas em programas convencionais de manejo de doenças pode diversificar os mecanismos utilizados contra os patógenos e, potencialmente, reduzir a pressão de seleção para resistência.
Mercado de fungicidas biológicos em expansão
A tecnologia entra em um mercado brasileiro de fungicidas estimado em US$ 1.040,65 bilhões em 2025, representando 32% do mercado nacional de proteção de cultivos, avaliado em US$ 1.040,2 bilhões, segundo dados da Kynetec citados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Fitossanitários (Sindiveg).
Dentro do segmento de insumos biológicos, os biofungicidas foram a categoria de crescimento mais rápido em valor em 2025. As vendas aumentaram 41%, atingindo R$ 1,4 bilhão (aproximadamente US$ 1,4 bilhão), enquanto a área tratada alcançou 26 milhões de hectares, um aumento de 37% em relação ao ano anterior, segundo a CropLife Brasil.
Os dados de mercado disponíveis publicamente ainda não quantificam separadamente os fungicidas formulados exclusivamente com metabólitos, o que coloca o segmento em um estágio inicial de desenvolvimento comercial no Brasil.
O lançamento também ocorre em um momento em que o Brasil continua altamente dependente da importação de produtos fitossanitários. As importações de pesticidas químicos totalizaram US$ 1,2 bilhão entre janeiro e maio de 2026, o que destaca a importância estratégica das tecnologias nacionais em meio à incerteza geopolítica, à volatilidade cambial e às interrupções na cadeia de suprimentos.
Cinco anos de desenvolvimento de campo
A Bioma afirmou que o biofungicida foi avaliado em mais de 50 regiões produtoras no Brasil, abrangendo diferentes condições climáticas, sistemas de manejo e níveis de pressão de doenças. Os ensaios avaliaram tanto o desempenho no controle de patógenos quanto a integração em programas de proteção de cultivos já utilizados pelos agricultores.
O produto amplia um portfólio tecnológico que inclui o Bioma Phos, um solubilizador biológico de fósforo que está sendo expandido para o mercado europeu, e o Hydratus, desenvolvido a partir de uma bactéria originária do bioma Caatinga, no Brasil, para melhorar a tolerância das plantas ao estresse hídrico.
Segundo a empresa, o novo fungicida representa mais um passo em sua estratégia de desenvolvimento, passando de produtos baseados em microrganismos vivos para moléculas produzidas por esses mesmos microrganismos.
“O acesso à tecnologia desenvolvida e produzida no Brasil oferece maior segurança de abastecimento, mais previsibilidade para o planejamento das safras e maior liberdade para construir estratégias de gestão de longo prazo”, disse Soares.
Para a indústria brasileira de insumos biológicos, o registro marca uma mudança em direção a tecnologias microbianas cada vez mais sofisticadas, nas quais o próprio microrganismo não é mais necessariamente o componente agrícola ativo, mas sim a fábrica biológica utilizada para gerar compostos com funções agronômicas específicas.