Brasil: Condições Adequadas para a Soja
O clima e os preços internacionais deixaram o Brasil preparado para uma safra muito forte. Atualmente, as condições da safra são “boas a excelentes, com problemas climáticos mínimos no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul”, de acordo com um relatório do Serviço de Agricultura Estrangeira do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA-FAS). A produção atualmente prevista de 60,1 milhões de toneladas métricas (MMT) de 21,7 milhões de hectares (m. Ha) ainda parece provável.
Produtividades menores no estado de Goiás e maiores em Santa Catarina podem alterar os números totais de produção, mas espera-se que esses ajustes sejam pequenos.
Em geral, a soja foi plantada com um atraso de 8 dias (estado do Paraná) a um mês inteiro, o que ajudou a reduzir significativamente a doença da ferrugem da soja, mas também a uma colheita muito chuvosa, principalmente no estado do Mato Grosso.
La Niña não teve o impacto negativo no Brasil que era esperado inicialmente. Nesta semana, além de elevar sua estimativa de área plantada em 200.000 Ha, a Conab elevou sua estimativa de produção em mais de 1 milhão de toneladas devido principalmente à ausência de efeitos de La Niña na cultura.
Preços recordes, lucro limitado no Centro-Oeste
Apesar dos preços historicamente altos no Chicago Board of Trade (CBOT), os produtores de soja brasileiros ainda estão em dificuldades. O primeiro fator citado pelo USDA-FAS é o momento dos produtores venderem sua soja: até 70% de produtores de Mato Grosso venderam sua safra antes do rali de preços da CBOT no outono passado, frequentemente a US$ $12 ou menos por bushel. Os preços atuais da soja são de $16 por bushel.
Outro grande fator limitante para os agricultores no Brasil, como os agricultores em todos os lugares, é o aumento do custo dos insumos. Felizmente, a maioria dos agricultores que venderam a preços mais baixos também negociaram insumos a preços mais baixos. Fertilizantes e herbicidas aumentaram cerca de 75% ao longo da temporada. Ainda assim, poucos produtores realmente perderão dinheiro nesta temporada, já que os lucros na área de Rondonópolis são relatados como tão altos quanto $170 por Ha.
No sul do Brasil e outras áreas próximas a portos, as margens serão maiores devido aos menores custos de transporte. Estima-se que o transporte em Mato Grosso totalize até metade dos custos totais dos agricultores neste estado, especialmente na área central produtora de Sorriso/Lucas do Rio Verde/Nova Mutum, que são os maiores municípios produtores de soja do país.
Entradas sobrecarregam orçamentos
A principal preocupação dos agricultores brasileiros é o aumento acentuado nos preços dos insumos. No caso de fertilizantes, o uso médio de NPK aumentou de $200 por Ha em 2006 para $300 por Ha em 2007. Em fevereiro, o NPK custava aproximadamente $750 por Ha e espera-se que custe até $900 este ano.
Da mesma forma, os herbicidas quase dobraram de $3,90/litro para $6,90/litro. Os produtos químicos usados para combater ferrugem e pragas (fungicidas e inseticidas) também aumentaram.
Perspectiva ainda positiva
Os altos preços internacionais e uma boa colheita de 2007/08 devem estimular um aumento de área no próximo ano. Enquanto muitos agricultores ainda carregam dívidas, a extensão e a rolagem da dívida e um possível perdão de juros acumulados que devem ser anunciados pelo Governo brasileiro até o final do mês será um fator decisivo no aumento da área.
O USDA-FAS espera um aumento na área de soja de 5% para 10%. O Norte e o Centro-Oeste experimentarão a maior parte do crescimento da área, enquanto Mato Grosso, Maranhão (especialmente a área de Chapadinha), Piauí, Tocantins e Oeste da Bahia experimentarão o maior crescimento em relação à área deste ano, de acordo com as projeções do USDA-FAS. Os preços do milho também terão um pequeno impacto, pois o plantio de milho de verão no Brasil deve continuar a aumentar modestamente. Espera-se que uma expectativa de mais soja e menos plantio de milho nos EUA tenha impacto no que já são preços historicamente altos do milho brasileiro.
Os custos de produção devem aumentar junto com o aumento da área em 2008/09. Segundo a Conab, o custo de produção por Ha no Brasil aumentará pelo menos 16,2%.