Brasil: Preços bons para milho e soja

Os preços do milho e da soja, que respondem por 90% da produção brasileira de grãos, devem permanecer fortes em 2008, segundo relatório do Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA).

Em 2007, o país arrecadou US$ $10,8 bilhões com as exportações de soja e US$ $1,7 bilhão com o milho, segundo a ANBA. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Edilson Guimarães, acredita que os dois produtos continuarão com alta demanda no mercado global em 2008 e que os preços permanecerão aquecidos. "O aumento nos preços das commodities ocorrido em 2007 foi uma mudança de patamar; os preços não voltarão aos níveis do ano passado, devem permanecer no patamar atual", afirmou.

As exportações de soja, que ficaram em 38 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2006, caíram para 36,9 milhões de toneladas durante o mesmo período de 2007. Embora isso represente uma redução de 2,71 TP3T em volume, houve um aumento de 22,31 TP3T na receita durante esse período em relação a 2006, pois as vendas aumentaram de US$ $8,8 bilhões para US$ $10,8 bilhões.

O milho não tem tanta importância na balança comercial agrícola brasileira quanto a soja, mas as vendas externas de milho tiveram um crescimento significativo em 2007, de 3,6 milhões de toneladas (janeiro a novembro de 2006) para 10 milhões de toneladas no mesmo período de 2007, um crescimento de 176,61 TP3T. O alto preço do milho também tornou o aumento nas vendas ainda maior: 3071 TP3T — de US$ $421 milhões para US$ $1,7 bilhão. "A Europa pagou um prêmio pelo milho não transgênico, e isso ajudou a aumentar as exportações", diz Guimarães.

Perspectiva boa

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Dando continuidade a essa tendência, 2008 também parece forte. "Deve ser um ano muito bom para soja, milho e também trigo, com demanda e oferta equilibradas", disse Paulo Molinari, economista e analista da consultoria Safras & Mercados, no artigo da ANBA. "Deve haver muita especulação no mercado dos Estados Unidos, pois eles têm estoques baixos de soja. Portanto, terão que plantar soja e reduzir a área plantada com milho. É nesse momento que o mercado entra em uma situação delicada nessas duas áreas."

A desvalorização do dólar americano em relação ao real permitiu que os produtores brasileiros obtivessem um aumento significativo nos lucros, apesar do aumento nos preços da soja e do milho, uma vez que a precificação externa das commodities também determina os preços no mercado brasileiro. Isso também pode mudar em 2008, afirma o artigo. "O ano de 2008 deve ser bom, pois acredita-se que a taxa de câmbio já tenha atingido o fundo do poço", disse Molinari.

A crescente demanda nos países asiáticos e produtores de petróleo, bem como a produção de etanol nos EUA, devem manter o mercado global de produtos agrícolas aquecido em 2008. "Nada pode impedir o crescimento das exportações. O mundo continua comprando, e o Brasil continua sendo um dos principais fornecedores", afirma Guimarães. "As exportações serão boas, acima dos níveis de 2007, devido à demanda global, que deve crescer 41 TP3T", explicou Molinari. A produção brasileira de grãos deve aumentar 2,31 TP3T na próxima safra, atingindo 134,7 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Boas lembranças de 2007

O ano passado foi bom para o agronegócio no país como um todo. "Não foi tão bom para a cana e o café, devido à queda de preços, mas foi um bom ano para a soja, o milho e as carnes. A carne bovina atingiu um preço recorde, o preço do milho dobrou e a soja se recuperou bem. No geral, 2007 foi um ano de recuperação em comparação com 2006", disse Molinari.

“O ano de 2007 foi bom, vínhamos de dois anos ruins, safras complicadas, problemas com precificação, clima, câmbio. A safra 2006/2007 foi normal, foi uma boa safra, não tivemos problemas com clima, a precificação como um todo foi boa. Tivemos o problema cambial, mas ele foi parcialmente compensado pelo aumento dos preços das commodities”, disse Guimarães.