Acordo de Doha falha novamente
Devido a divergências sobre produtos agrícolas e industriais entre os EUA e os países com economias emergentes, Organização Mundial do Comércio (OMC) não conseguiu fechar um novo pacto comercial global antes do final do ano, relata a Associated Press. O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, esperava convidar os principais negociadores comerciais para Genebra neste fim de semana para discutir os muitos obstáculos que impedem um acordo que visa reduzir as barreiras comerciais; no entanto, a reunião foi adiada para o próximo ano.
"Acho que é a atitude mais prudente, dadas as lacunas que temos observado", disse o embaixador americano, Peter Allgeier. "Estamos profundamente decepcionados por ainda não termos chegado a esse estágio."
Os Estados Unidos e potências emergentes como China e Índia continuam em desacordo sobre a demanda americana por grandes cortes de tarifas no setor químico global, enquanto outros discordam das centenas de milhões de dólares em subsídios ao algodão que os EUA distribuem todos os anos aos produtores.
O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou que os Estados Unidos estavam bloqueando as esperanças de progresso com demandas excessivas dos países mais pobres; no entanto, Allgeier afirmou que os EUA não eram culpados pela falta de progresso, observando que Washington apoiou muitas tentativas de romper o impasse nas negociações sobre agricultura com países como China e Índia, que foram frustradas em julho. Ele afirmou que Nova Délhi não demonstrou flexibilidade.
Amorim disse que ainda é favorável a uma reunião em breve com altos funcionários dos governos dos EUA, União Europeia, Índia e outros países. Mas admitiu que tal encontro serviria para esclarecer as posições de cada um, e não para fechar um acordo. O negociador comercial da Argentina, Nestor Stancanelli, disse que não prevê uma reunião ministerial antes do ano que vem.