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Brazil's experience in nematode control: Frontier exploration of biological solutions - AgriBusiness Global
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Apresentado por Estafilo

A experiência do Brasil no controle de nematoides: exploração pioneira de soluções biológicas.

Os nematoides parasitas de plantas, que se alimentam das raízes, são frequentemente chamados de "assassinos invisíveis" na agricultura. Apesar de serem difíceis de detectar devido à sua atividade oculta no solo, são altamente destrutivos, causando perdas estimadas em 1,5 trilhão de dólares em safras agrícolas globais anualmente. Essas pragas danificam as estruturas radiculares, reduzem a capacidade das culturas de absorver água e nutrientes e criam condições propícias a infecções fúngicas, representando uma séria ameaça tanto à saúde quanto à produtividade das lavouras.

Como os nematoides são difíceis de observar e diagnosticar em campo, seu impacto é frequentemente subestimado. No entanto, a crescente ameaça que representam tornou o desenvolvimento de estratégias de manejo eficientes, precisas e sustentáveis um desafio global urgente. Nesse contexto, as soluções biológicas surgiram como um componente vital do manejo integrado de nematoides (MIN).

O Brasil, como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, tornou-se um ponto focal para a adoção e expansão de tecnologias de controle biológico de nematoides. Por meio de uma combinação de apoio de políticas governamentais, pesquisa e desenvolvimento impulsionados por empresas e a integração de tecnologias inovadoras, o Brasil está avançando ativamente em abordagens biológicas para combater as principais pragas e doenças das culturas.

A experiência brasileira oferece um modelo replicável com grande relevância para a agricultura global. Seu progresso não apenas demonstra um caminho prático para o manejo de nematoides, mas também contribui para a transformação mais ampla rumo a sistemas agrícolas mais verdes, eficientes e sustentáveis, oferecendo valiosas perspectivas para a comunidade internacional.

Nematoides: uma ameaça urgente à agricultura brasileira.

Os nematoides parasitas de plantas tornaram-se uma das pragas mais destrutivas na agricultura brasileira, representando uma grande ameaça a culturas básicas como soja, milho e cana-de-açúcar. Esses organismos microscópicos presentes no solo alimentam-se das raízes das plantas, comprometendo a saúde da cultura desde a fase de plântula e reduzindo significativamente tanto a produtividade quanto a qualidade.

Nas regiões produtoras de soja, as espécies comuns incluem nematoides das galhas (Meloidogyne javanica, M. incognita), nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus), e nematóides de cisto (Heterodera glicinasEssas pragas danificam o sistema radicular e interrompem a absorção de água e nutrientes, resultando em crescimento atrofiado, plantio irregular e grandes falhas nas plantações, o que acaba levando a perdas substanciais na produção.

As condições climáticas únicas do Brasil e os sistemas de cultivo intensivo agravam ainda mais a proliferação de nematoides. Em muitas regiões, os invernos são praticamente inexistentes e as temperaturas permanecem elevadas durante todo o ano, frequentemente atingindo 46°C no verão e cerca de 26°C no inverno. Essas condições permitem de dois a três ciclos de cultivo por ano, estendendo significativamente o período de atividade dos nematoides e proporcionando amplas oportunidades para reprodução. Rotações de culturas frequentes, como soja, milho e algodão, oferecem um ambiente hospedeiro contínuo, dificultando a interrupção do ciclo de vida dos nematoides e intensificando o desafio do manejo.

Para complicar ainda mais a situação, novas espécies de nematóides surgiram nos últimos anos, incluindo Aphelenchoides besseyi e Helicotylenchus dihystera. Essas espécies se espalham rapidamente, possuem uma ampla gama de hospedeiros e frequentemente coexistem com nematoides tradicionais, o que complica o diagnóstico e os esforços de controle. Por exemplo, Helicotylenchus dihystera Pode causar alturas desiguais das plantações e crescimento atrofiado em diversos campos, o que representa uma preocupação crescente em muitas zonas agrícolas.

Segundo pesquisas recentes e monitoramento de campo realizados pela Staphyt, os nematoides causam perdas econômicas anuais de US$ 5,5 a 12 bilhões no Brasil, o que corresponde a quase 71.000 toneladas da produção agrícola total do país. A soja, sozinha, sofre perdas de US$ 4 a 5 bilhões, tornando os nematoides a principal praga agrícola do país. De mais de 20.000 amostras de campo coletadas em todo o território nacional, nematoides foram detectados em mais de 951.000 toneladas, o que evidencia tanto sua ampla distribuição quanto seu significativo impacto econômico.

É evidente que os nematoides se tornaram um desafio crítico para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira e exigem estratégias de manejo urgentes, integradas e inovadoras.

O dilema do manejo de nematoides: desafios enfrentados pelos agricultores

Sendo pragas subterrâneas e muitas vezes indetectáveis, os nematoides representam desafios únicos para o manejo agrícola. Uma vez que infestam uma lavoura, são extremamente difíceis de erradicar. O consenso predominante é que o manejo, e não a erradicação, é o objetivo mais realista. Como os nematoides podem causar danos irreversíveis às raízes, o sucesso a longo prazo depende do monitoramento contínuo e do manejo científico integrado. No entanto, para muitos agricultores, isso continua sendo um desafio complexo e constante.

Na prática, o conhecimento dos agricultores sobre nematoides é geralmente baixo. Apesar da ampla incidência desses insetos nas áreas agrícolas, muitos produtores só percebem o problema quando ocorrem perdas significativas na produção. Os sintomas sutis e muitas vezes invisíveis dos danos às raízes dificultam a detecção precoce e a intervenção oportuna. Isso reforça a necessidade de fortalecer a educação dos agricultores, aprimorar a capacidade de diagnóstico e aumentar a conscientização sobre a importância da ação precoce.

Uma complicação adicional reside na tensão entre os ganhos econômicos e a adesão ao controle de pragas. No Brasil, o sistema de rotação soja-milho-algodão, comum na região, é economicamente atrativo, mas também contribui para o aumento e a disseminação de nematoides. Quando especialistas recomendam interromper esse ciclo ou ajustar as estruturas de plantio para controlar nematoides, os agricultores frequentemente se mostram relutantes devido a preocupações econômicas. Esse conflito entre as melhores práticas agronômicas e os incentivos financeiros é uma das principais barreiras para o manejo eficaz de nematoides.

Ao mesmo tempo, os nematicidas químicos tradicionais estão sendo gradualmente eliminados devido a preocupações com resíduos ambientais e normas regulatórias mais rigorosas. Novos produtos químicos enfrentam longos processos de aprovação, eficácia limitada e restrições de uso, criando uma necessidade urgente de alternativas seguras, eficazes e sustentáveis.

Nesse contexto, os nematicidas biológicos estão ganhando espaço rapidamente. No Brasil, a adoção aumentou de 27% há três anos para mais de 40% atualmente, tornando-os um pilar central nas futuras estratégias de manejo de nematoides. Embora ainda existam desafios, o apoio político e os avanços tecnológicos estão impulsionando esse movimento, e as soluções biológicas estão preparadas para desempenhar um papel cada vez mais vital na agricultura brasileira.

Agentes biológicos: uma força crescente no manejo de nematoides

Nos últimos anos, o Brasil tem alcançado avanços notáveis na agricultura biológica, particularmente no desenvolvimento e na adoção de produtos biológicos para proteção de cultivos. Segundo dados da Staphyt, mais de 501 mil milhões de reais em investimentos atuais em pesquisa e desenvolvimento no Brasil estão focados em produtos biológicos. Dentre eles, os bionematicidas têm apresentado crescimento consistente nos últimos seis anos, com o mercado atualmente avaliado em 200 bilhões de reais, representando de 4 a 51 mil milhões de reais do mercado total de agrotóxicos. Com uma taxa média de crescimento anual de 15 a 20 mil milhões de reais, esse valor supera em muito o crescimento de 41 mil milhões de reais observado nos agrotóxicos químicos tradicionais.

Em meio às crescentes restrições regulatórias sobre substâncias químicas altamente tóxicas, o registro de agentes biológicos aumentou consideravelmente. Somente em 2024, mais de 12 novos bionematicidas foram aprovados. A diversidade de ingredientes ativos microbianos também se expandiu rapidamente — de apenas alguns há 15 anos para 99 cepas registradas atualmente. Hoje, Bacillus e Trichoderma estão entre os gêneros microbianos dominantes usados em formulações nematicidas. Os dados de aplicação mostram uma divisão quase igual entre agentes bacterianos e fúngicos, com formulações multicepas emergindo como uma tendência fundamental para atingir populações de nematoides complexas e com múltiplos alvos.

No âmbito corporativo, empresas brasileiras como Ballagro, Lallemand, e Vittia têm desempenhado papéis ativos no desenvolvimento e na comercialização de produtos. Ao mesmo tempo, empresas globais de agroquímicos estão aumentando sua participação por meio de parcerias e joint ventures. Instituições como a Staphyt trabalham em estreita colaboração com atores internacionais para acelerar os processos de registro, a inovação tecnológica e a expansão do portfólio de produtos, contribuindo para fortalecer a competitividade do setor de biológicos no Brasil.

De modo geral, o Brasil está passando por uma transformação estrutural em sua indústria de proteção de cultivos, com os bioiniciadores se tornando um pilar central para o crescimento futuro. Como um subsetor estratégico, os bionematicidas estão preparados para desempenhar um papel fundamental na condução da evolução sustentável da agricultura brasileira.

Aplicação prática: Evidências baseadas em dados do Brasil

Com o aumento da pressão de nematoides no Brasil, o uso de nematicidas biológicos entrou em uma nova fase, focada na validação em campo e no aprimoramento tecnológico. Para avaliar a eficácia em condições reais, a Staphyt conduziu extensos ensaios de campo por meio de sua rede nacional de estações experimentais. Esses ensaios avaliam o impacto de diferentes métodos de aplicação tanto no controle de nematoides quanto na melhoria da produtividade das culturas.

Atualmente, dois métodos principais de aplicação estão sendo promovidos: tratamento de sementes e aplicação no sulco de plantio.

  • O tratamento de sementes é amplamente adotado por grandes produtores que administram áreas de 10.000 a 20.000 hectares, pois não requer água adicional e se integra bem aos sistemas de plantio mecanizado. No entanto, sua implementação é frequentemente limitada pela capacidade restrita do revestimento de sementes — os agricultores costumam adicionar inoculantes e adjuvantes, deixando pouco espaço para nematicidas na mistura de tratamento de sementes.
  • A aplicação no sulco, por outro lado, oferece maior flexibilidade e é particularmente eficaz para o manejo de múltiplas pragas. Alguns agricultores estão agora combinando o tratamento de sementes com a aplicação no sulco para aumentar a cobertura e a persistência da atividade nematicida no solo.

Os resultados dos ensaios de campo mostram que as parcelas tratadas com nematicidas biológicos alcançam um aumento médio de rendimento de 6 a 10%, demonstrando benefícios econômicos notáveis e reforçando a confiança dos agricultores na adoção dessas soluções.

Diante da crescente ameaça de nematoides a culturas básicas como soja e milho, o desenvolvimento de formulações compostas e estratégias de aplicação multialvo torna-se cada vez mais essencial. A integração de agentes biológicos com tecnologias de aplicação de precisão representa um caminho fundamental para alcançar um manejo eficiente e sustentável de pragas na agricultura brasileira.

Perspectivas Futuras e Conclusão

Na agricultura brasileira, a soja e o milho continuam sendo as culturas principais, com extensas áreas cultivadas e significativa importância econômica. No entanto, a pressão de nematoides continua a aumentar, tornando-se um dos estressores biológicos mais críticos que ameaçam a produtividade e a qualidade das culturas. Mesmo quando os agricultores migram para outras culturas comerciais, a persistência e a adaptabilidade dos nematoides frequentemente levam a infestações cruzadas, representando riscos mais amplos para os ecossistemas agrícolas.

Diante disso, o Dr. Luiz Antonio Alves Jose, chefe da Staphyt Brasil, incentivou os agricultores a repensarem sua percepção sobre os nematoides. Ele enfatizou que a erradicação completa é irrealista e que o manejo — e não a eliminação — é o objetivo prático. Dada a crescente complexidade das espécies de nematoides e seus padrões de resistência, depender exclusivamente de nematicidas químicos não é mais suficiente. Em vez disso, os agricultores são incentivados a adotar estratégias de manejo integrado de nematoides (MIN) que combinem rotação de culturas, variedades resistentes e agentes de controle biológico para construir sistemas de manejo de pragas mais robustos e resilientes.

Embora as soluções biológicas não sejam uma solução universal, sua adoção no Brasil está se acelerando e se tornando cada vez mais comum. Apoiados por tecnologias de aplicação de precisão, como o tratamento de sementes e a aplicação no sulco de plantio, os nematicidas biológicos estão demonstrando benefícios significativos em termos de produtividade, além de vantagens ambientais, oferecendo um caminho promissor para a agricultura sustentável.

Luiz concluiu enfatizando que a solução a longo prazo para o desafio dos nematoides reside em dois pilares fundamentais: inovação tecnológica contínua e educação dos agricultores na base da cadeia produtiva. Ao desenvolver formulações adaptadas às condições agroecológicas locais, promover práticas de aplicação baseadas na ciência e aprimorar a conscientização e a capacidade operacional dos agricultores, o Brasil pode pavimentar o caminho para um modelo vantajoso para todos, gerenciando os nematoides de forma eficaz, garantindo a produtividade das lavouras e impulsionando a transformação agrícola.

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