Chengdu Newsun discute o mercado de bioestimulantes, oportunidades e muito mais.
O Dr. Huang Jin, Vice-Reitor do Instituto de Pesquisa em Biotecnologia da Chengdu Newsun Crop Science Co., Ltd., explora as oportunidades de mercado dos bioestimulantes, dados, estratégias de entrada no mercado e muito mais.
AgriBusiness Global: Quais são as oportunidades de mercado para produtos bioestimulantes nos próximos anos, especialmente com o aumento das mudanças climáticas?
Dr. Huang Jin: De acordo com o relatório de junho de 2026 da Organização Meteorológica Mundial, o atual fenômeno El Niño intensificou-se para uma fase extrema, contribuindo para ondas de calor recordes e secas prolongadas em importantes regiões agrícolas. Com a crescente incerteza na produção, a demanda por bioestimulantes e reguladores de crescimento vegetal (RCVs) aumenta, pois esses produtos podem auxiliar as culturas a lidar com o estresse abiótico e manter um desempenho mais estável.
Para os bioestimulantes, a oportunidade vai além da tolerância ao estresse. Eles podem melhorar o desenvolvimento radicular, a absorção de nutrientes e a eficiência do uso de fertilizantes, ajudando os produtores a reduzir os custos de produção, ao mesmo tempo que contribuem para o aumento da produtividade e da qualidade. À medida que os custos de fertilizantes, mão de obra e outros insumos aumentam, os produtos que melhoram tanto a eficiência dos insumos quanto o desempenho das culturas se tornarão cada vez mais valiosos.
O mercado de reguladores de crescimento vegetal (PGRs) é menor e o conhecimento sobre eles ainda é limitado. Muitos produtores ainda associam essa categoria principalmente à regulação da altura, floração ou maturação das plantas. No entanto, os PGRs de nova geração também podem modular vias de sinalização internas e melhorar as respostas das culturas à seca, ao calor e a outros estresses.
Nesse sentido, elas funcionam como um seguro de produção. Podem não proporcionar sempre o maior aumento de rendimento em condições ideais, mas, quando ocorre estresse, ajudam a preservar a atividade fisiológica e a proteger o potencial de produção.
A coronatina (COR) é um bom exemplo. Em um ensaio com soja no Brasil, afetado por estresse hídrico e térmico, as plantas tratadas com COR retiveram significativamente mais folhas verdes e mantiveram uma copa mais robusta, resultando em um aumento estimado de produtividade de cerca de 13,21 TP/3T em relação aos controles não tratados sob estresse severo (dados de ensaios de verão realizados no Brasil em 25/26 meses). Embora não possa eliminar a seca nem substituir a irrigação, a COR demonstra como esses produtos podem ajudar as culturas a preservar melhor seu potencial produtivo quando submetidas a estresse abiótico.
ABG: Que tipo de dados e estratégias de entrada no mercado os fabricantes devem fornecer para ajudar a comprovar a eficácia e a interagir com o produtor, mostrando os benefícios em condições climáticas imprevisíveis?
HJ: Os dados relativos a produtos biológicos devem responder a três perguntas: por que o produto funciona, em que condições funciona e como deve ser utilizado.
Numa fase inicial, os fabricantes podem usar estudos sobre o modo de ação e princípios técnicos para identificar potenciais aplicações. No entanto, os produtos biológicos frequentemente têm múltiplas funções, e o seu posicionamento de mercado mais forte é muitas vezes descoberto e refinado através de ensaios de campo sistemáticos.
A validação deve, portanto, ir além da produtividade final. Dados de campo multiparamétricos, incluindo crescimento radicular, recuperação do estresse e eficiência no uso de nutrientes, podem convencer de forma mais eficaz os produtores e consultores ao avaliar um novo bioestimulante em condições climáticas imprevisíveis. Essa validação deve abranger o desenvolvimento radicular, a condição foliar e da copa, a absorção de nutrientes, a resposta ao estresse, a qualidade da cultura, a produtividade e o retorno do investimento. Os resultados também devem ser comparados entre diferentes culturas, regiões, estágios de crescimento, condições climáticas e sistemas de manejo.
Essa abordagem ajuda os fabricantes a identificar onde o produto gera maior valor e a transformar uma tecnologia ativa em um programa de aplicação claro e prático. Em condições climáticas imprevisíveis, as empresas não devem prometer resultados idênticos em todos os lugares. Em vez disso, os dados devem definir a consistência, as condições adequadas e os limites de desempenho. Muitos testes com bioestimulantes indicam que os produtos que definem explicitamente sua “zona de confiabilidade”, incluindo as condições climáticas e do solo, obtiveram uma adoção duas a três vezes mais rápida pelos produtores em novos mercados, em comparação com produtos que fazem alegações amplas e indiferenciadas.
Nossa experiência no Brasil demonstra ainda que a validação localizada deve estar intimamente ligada à rede técnica local. Trabalhamos com pesquisadores, consultores agronômicos, distribuidores e produtores influentes no planejamento de ensaios, na interpretação de dados e no desenvolvimento de aplicações.
Quando produtores de referência organizam dias de campo e avaliam o valor prático em condições reais de produção, o impacto na adoção local é mensurável. Em última análise, os fabricantes devem fornecer não apenas provas de eficácia, mas também uma solução adaptada localmente, agronomicamente sólida, respaldada por dados confiáveis e prática para que agrônomos e produtores a utilizem com confiança.
ABG: Existe uma ampla variedade de bioestimulantes e reguladores de crescimento vegetal. Quais são os avanços mais recentes em pesquisa e desenvolvimento nessa categoria de produtos?
HJ: A pesquisa e o desenvolvimento de bioestimulantes estão passando por uma mudança fundamental, de um modelo orientado por ingredientes para uma abordagem orientada pelas necessidades, funções e mecanismos das culturas.
O objetivo não é afirmar que um único produto possa desempenhar todas as funções, mas sim desenvolver soluções precisas e direcionadas para necessidades específicas de culturas e cenários de aplicação.
Outra tendência importante em P&D é o estudo mais aprofundado das interações entre as substâncias ativas. Os futuros produtos combinados não devem simplesmente conter mais ingredientes. Eles precisam ser desenvolvidos com base na compreensão dos mecanismos, proporções e tempo de ação. Dois ingredientes ativos que funcionam bem individualmente podem não apresentar melhor desempenho juntos e podem até produzir efeitos antagônicos.
A próxima geração de bioestimulantes será, portanto, definida por um posicionamento funcional claro, mecanismos cientificamente explicáveis e desempenho repetível na cultura e no cenário pretendidos.
ABG: Que outras coisas a indústria deveria saber sobre produtos biológicos?
A indústria precisa de uma compreensão mais objetiva dos produtos biológicos. Eles não são soluções universais e não devem ser vistos como simples substitutos de insumos químicos. Cada produto requer condições de uso claras, uma função específica e limites de desempenho reconhecidos.
Um bom exemplo é a combinação de coronatina e fluopiram em ensaios com batata no Brasil. O fluopiram foi utilizado para controlar a pressão de nematoides e/ou doenças transmitidas pelo solo, enquanto a coronatina promoveu a fisiologia da cultura e a tolerância ao estresse. O valor reside na clara divisão de funções: uma tecnologia controlava a pressão biológica externa e a outra fortalecia a resposta fisiológica da planta. Isso não significa que a coronatina possa substituir fungicidas, nematicidas ou outras medidas de proteção de cultivos. Em vez disso, ela os complementa dentro de um programa integrado.
Produtos biológicos e químicos podem gerar um resultado maior do que a soma de suas partes, mas não por meio de uma simples mistura. Mesmo dois produtos potentes podem causar antagonismo ou inibição da planta se o mecanismo, a dosagem, o momento da aplicação ou as formulações não forem adequadamente planejados. A verdadeira sinergia requer uma compreensão clara de como cada produto funciona, qual o seu papel e como as tecnologias devem ser combinadas dentro de um programa agronômico integrado.
A chave é reconhecer onde os produtos biológicos funcionam, quais problemas eles podem resolver e quais não podem. Essa abordagem disciplinada é o que, em última análise, constrói a confiança dos produtores a longo prazo e apoia o desenvolvimento saudável da agricultura biológica.