Consulte o especialista: Dr. Tingzhuo Chen, da Chengdu New Sun, sobre o posicionamento de produtos biológicos como uma ferramenta viável.

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O Dr. Tingzhuo Chen, Vice-Reitor do Instituto de Pesquisa em Biotecnologia da Chengdu New Sun Crop Science Co., Ltd., discute como as empresas podem educar seus clientes sobre o uso de produtos biológicos, como esses produtos podem complementar os químicos tradicionais e muito mais.
AgriBusiness Global: Como as empresas podem educar o mercado sobre o uso correto de produtos biológicos?
Dr.Tingzhuo Chen: Essa é uma questão muito importante, mas também muito difícil. A educação de mercado para produtos biológicos não pode se basear em uma abordagem universal, pois os sistemas agrícolas e as estruturas de tomada de decisão dos produtores variam muito de região para região.
Na China, nossa abordagem se baseia principalmente em demonstrações de campo e canais confiáveis. Participamos de importantes projetos nacionais de P&D e de programas de demonstração apoiados pelo governo, além de trabalharmos com parceiros que possuem forte capacidade de distribuição e atendimento ao produtor. Por meio desses canais, ajudamos os produtores a entender não apenas se um produto biológico funciona, mas também como ele deve ser usado na produção real.
Em mercados agrícolas mais maduros, como o Brasil, a educação precisa ser mais localizada e tecnicamente fundamentada. A partir da nossa cooperação com o parceiro estratégico brasileiro Juliagro, aprendemos que os produtores locais frequentemente dependem muito de consultores agronômicos e assessores técnicos na tomada de decisões sobre proteção de cultivos. Portanto, as empresas precisam fornecer evidências locais e explicações práticas que se adequem às culturas específicas, às regiões, às pressões de pragas ou doenças e aos programas de proteção de cultivos existentes.
Para produtos biológicos, a educação de mercado deve ser realista e orientada para a aplicação prática. Bons dados são importantes, mas o objetivo real é transformar evidências científicas em conhecimento prático que produtores e consultores possam usar corretamente.
ABG: Como os produtos biológicos podem ser avaliados de uma forma mais razoável, além de simples comparações de eficácia ou preço com produtos químicos?
Chen: Penso que os produtos biológicos devem ser avaliados sob a perspectiva do retorno do investimento, e não apenas pelo preço ou eficácia direta.
Se compararmos apenas o custo por hectare ou o efeito de controle imediato, a avaliação fica incompleta. O objetivo da proteção de cultivos não é apenas matar uma praga ou suprimir uma doença. O objetivo final é proteger a produtividade, melhorar a qualidade da safra, reduzir o risco de produção e ajudar os agricultores a obterem melhores retornos econômicos.
Os produtos biológicos podem ajudar as culturas a manter um melhor crescimento, reduzir a pressão inicial de pragas ou doenças, melhorar a tolerância ao estresse e promover melhor qualidade, aparência ou rendimento comercial. Em muitos casos, melhor qualidade também significa um preço de venda melhor.
O momento certo também é importante. Muitos produtos biológicos são mais valiosos quando usados no início, antes que o problema se agrave. Um pequeno investimento inicial pode funcionar como um seguro: pode reduzir a probabilidade ou a gravidade de surtos posteriores e diminuir a necessidade de aplicações químicas mais intensivas mais tarde na temporada.
Portanto, não é científico avaliar produtos biológicos apenas perguntando se são mais baratos que os químicos ou se produzem o mesmo efeito letal imediato. Uma avaliação mais adequada deve considerar todo o sistema de produção, incluindo a proteção da produtividade, a melhoria da qualidade, a redução de insumos, o manejo de resíduos e o retorno econômico final.
ABG: De que forma os produtos biológicos podem complementar os produtos tradicionais de proteção de cultivos?
Chen: Não vemos os produtos químicos e biológicos como uma relação de substituição. O futuro reside na integração e sinergia, especialmente em programas de manejo integrado de pragas e manejo integrado da resistência.
Os produtos químicos ainda são importantes para o controle rápido em situações de alta pressão de pragas ou doenças. Os produtos biológicos podem complementá-los, oferecendo manejo preventivo, fortalecendo as defesas da planta e ajudando a reduzir a dependência excessiva de um único modo de ação química.
Assim, os produtos biológicos são valiosos não apenas como agentes de controle, mas também como ferramentas de prevenção, manejo de resistência e estabilização do sistema dentro de programas integrados de proteção de cultivos.
ABG: Que conselho você daria para empresas que desejam posicionar produtos biológicos no mercado como uma ferramenta viável?
Chen: Meu conselho é começar destacando o valor real do produto e comunicá-lo com honestidade. Muitos produtos biológicos perdem a confiança dos produtores porque são superestimados ou prometem demais no início.
Os produtos biológicos têm uma lógica de uso diferente dos produtos químicos convencionais. As empresas precisam definir claramente onde o produto se encaixa: a cultura, o momento ideal, o problema a ser resolvido e o método de aplicação. Também precisam entender se ele pode ser integrado aos produtos e práticas que os agricultores já utilizam.
Este posicionamento deve ser respaldado por ensaios de campo suficientes. Somente identificando o melhor momento de uso e a combinação ideal de programas é que os produtos biológicos poderão se tornar ferramentas práticas em que os produtores confiem e continuem a usar.
ABG: Há mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar?
Chen: Gostaria de acrescentar que, para a New Sun, os produtos biológicos não são apenas uma oportunidade de negócio. São também uma forma importante de contribuirmos para uma agricultura mais sustentável.
Ao longo dos anos, investimos fortemente em P&D e acumulamos diversas plataformas biotecnológicas, recursos naturais ativos e conquistas científicas, mas uma boa tecnologia não gera valor se permanecer apenas no laboratório. Nosso objetivo é levar essas tecnologias para o campo e torná-las úteis para os produtores.
Para alcançar esse objetivo, precisamos de parceiros. Precisamos de parceiros comerciais que entendam o mercado, os canais de distribuição e as necessidades dos produtores. Também precisamos de parceiros técnicos locais, como a Juliagro no Brasil, que possam nos ajudar a compreender melhor os desafios agrícolas locais e a traduzir a tecnologia em valor prático no campo.
Esperamos que nosso investimento em P&D possa gerar não apenas valor corporativo, mas também um valor social mais amplo. Estamos ansiosos para trabalhar com mais parceiros que compartilhem da mesma visão ao redor do mundo para aproximar as tecnologias biológicas dos agricultores e, juntos, fortalecer a agricultura sustentável.