Perspectivas positivas para as frutas cítricas?
Os EUA são tradicionalmente os maiores produtores mundiais de frutas cítricas, pelo menos até 2005, quando o Brasil assumiu a liderança. Os dois países continuam a disputar o vasto mercado de suco de laranja dos EUA (os americanos bebem mais suco de laranja do que qualquer outra nação), com a vantagem nesta temporada mais uma vez para o Brasil.
EUA congelados?
Uma geada no início de 2007 levou o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas (NASS) do Departamento de Agricultura dos EUA a revisar seu relatório de safra em março. O NASS reduziu a estimativa nacional de laranja-baía para apenas 54 milhões de caixas. California Citrus Mutual's O presidente Joel Nelsen afirmou: “O setor... terá a sorte de embalar 30% da safra restante na árvore após a geada”. Ele acrescenta que a previsão do NASS “não apresenta um quadro preciso da perda desastrosa da indústria cítrica”.
Embora a área plantada não tenha mudado, a média de plantios por árvore de laranjas-baía caiu de 461 em 2005/06 para 294 em 2006/07. As laranjas valência da Califórnia, que tendem a se recuperar melhor de geadas anteriores, não se saíram muito melhor, com uma estimativa de 20 milhões de caixas, uma queda de 261 TP3T em relação à temporada passada. A toranja da Califórnia (9,6 milhões de caixas) também caiu 201 TP3T em relação à estimativa final da temporada passada; os limões (33 milhões de caixas) caíram 211 TP3T; e as tangerinas (5,2 milhões de caixas) cairão 281 TP3T em relação à temporada passada, de acordo com as previsões da NASS.
A Flórida também foi duramente atingida pela geada de janeiro, que causou os maiores danos desde a temporada 1989/90, resultando na menor safra da história recente. São esperadas apenas 130 milhões de caixas de laranjas e 27 milhões de caixas de toranjas, disse o CEO Mike Sparks da Florida Citrus Mutual.
Além das temperaturas congelantes, a Flórida tem lutado contra pragas e doenças invasoras, como o cancro cítrico e o greening. Foram solicitadas verbas superiores a US$ 1,4 bilhão para pesquisas que visem combater essas doenças. Desde 2004, a área plantada com laranja diminuiu em 151 bilhão de pés de laranja, a de toranja caiu quase 291 bilhão de pés de laranja e a de frutas especiais caiu quase 221 bilhão de pés de laranja. Atualmente, a Flórida possui pouco mais de 70 milhões de pés de laranja em 229.241 acres, com a remoção de árvores superando o plantio de novas árvores em mais de 5 para 1.
O Brasil Ajuda
A Flórida não é a única a ser assolada por doenças cítricas; o greening tornou-se um problema tão grande nos EUA e no exterior que o Brasil e os EUA estão trabalhando juntos para combatê-lo. Um painel de citricultores americanos que visitou o Brasil recentemente apresentou seus relatórios sobre as melhores práticas de manejo em julho, na Conferência Anual da Indústria Cítrica da Flórida de 2007. O greening — que é mortal para as culturas, reduzindo sua vida útil de mais de 50 anos para menos de 15 — matou árvores na África e no Sudeste Asiático. Atualmente, não há cura conhecida.
Ao contrário da Flórida, porém, o Brasil prevê uma produção estimada de laranja de 454 milhões de caixas para 2006/07, 11% a mais que na temporada anterior. Mesmo com a redução da área plantada e das árvores frutíferas, causada principalmente pela Síndrome da Morte Súbita (que afetou mais de dois milhões de árvores desde 2002) e culturas concorrentes, como a cana-de-açúcar, para o etanol, o Brasil espera uma excelente colheita.
Cerca de 140 países produzem frutas cítricas, com 70% da produção ocorrendo no Hemisfério Norte. Brasil, países do Mediterrâneo, EUA e China respondem por mais de dois terços da produção global. Países do Hemisfério Sul — como Argentina, Austrália e África do Sul — melhoraram sua presença no mercado fornecendo frutas fora de temporada para países do Norte. Embora a produção mundial de frutas cítricas esteja em alta, uma combinação de clima, pragas e doenças significa que a menor produção da Espanha e dos EUA deve compensar o aumento das colheitas do Brasil e do México nesta temporada.